Hoje foi um dia muito especial. O dia que tive uma
comprovação concreta de que o amor não se paga. E, para isso, tive que provar
um pouco do desamor de um vendedor de bichinho de pelúcia.
Fui ver a peça da Peppa com meu filhote, foi uma peça
relativamente cara perto do cenário teatral de Curitiba. Já fui em peças que
custavam R$5,00 ou mesmo gratuitas com o Antonio e tinham uma qualidade
artística altíssima. Mas enfim, ele adora este desenho e percebi que ele ia se
divertir.
A peça era tosca para o preço que paguei, o cenário era uma
telão que projetava as próprias figuras do desenho, e o roteiro mais podre ainda. Era simplesmente
as mesmas falas que os próprios episódios da TV. Mas parei de questionar tudo
isso quando o vi dançando e pulando na cadeira, feliz como eu nunca tinha o
visto em um teatro.
Sai de lá felizona. Até que encontrei um vendedor de pelúcia
que tinha várias Peppas e Georgies para vender. E ele nos abordou assim: Oi,
menininho. Você obedece a mamãe? (sim) Come tudo direitinho? (sim)… Então, olha que maravilha. Sua
mamãe vai te dar uma Peppa. Porque ela te ama e você é um menino especial.
Sim, ele é um menino obediente, ultimamente tem comido e
ainda repete o prato. Mas não faz isso para ganhar brinquedos, faz simplesmente
porque é o melhor para ele. E sim, ele é muito especial. E LÓGICO, eu amo ele
incondicionalmente.
Eu tava prestes a fazer aquele vendedor engolir todas as
Peppas goela abaixo, estava pronta pra dizer tudo que penso sobre esse
argumento de venda PORCO que ele vem utilizado, mas, quando percebi, estava eu
conversando com o vendedor e o Antonio olhando para a lua.
Ele não queria nada daquilo, entrei em uma crise existencial à toa, fiquei sofrendo pelo desamor alheio enquanto estava perdendo uma lua
minguante maravilhosa. Fomos para o carro cantando músicas para a lua. E meu
coração se acalentou quando eu disse que o amava e ele respondeu com um: eu
sei, também te amo muito.
