segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sobre a lua e o amor.

Hoje foi um dia muito especial. O dia que tive uma comprovação concreta de que o amor não se paga. E, para isso, tive que provar um pouco do desamor de um vendedor de bichinho de pelúcia.

Fui ver a peça da Peppa com meu filhote, foi uma peça relativamente cara perto do cenário teatral de Curitiba. Já fui em peças que custavam R$5,00 ou mesmo gratuitas com o Antonio e tinham uma qualidade artística altíssima. Mas enfim, ele adora este desenho e percebi que ele ia se divertir.

A peça era tosca para o preço que paguei, o cenário era uma telão que projetava as próprias figuras do desenho, e o roteiro mais podre ainda. Era simplesmente as mesmas falas que os próprios episódios da TV. Mas parei de questionar tudo isso quando o vi dançando e pulando na cadeira, feliz como eu nunca tinha o visto em um teatro.

Sai de lá felizona. Até que encontrei um vendedor de pelúcia que tinha várias Peppas e Georgies para vender. E ele nos abordou assim: Oi, menininho. Você obedece a mamãe? (sim) Come tudo direitinho? (sim) Então, olha que maravilha. Sua mamãe vai te dar uma Peppa. Porque ela te ama e você é um menino especial.

Sim, ele é um menino obediente, ultimamente tem comido e ainda repete o prato. Mas não faz isso para ganhar brinquedos, faz simplesmente porque é o melhor para ele. E sim, ele é muito especial. E LÓGICO, eu amo ele incondicionalmente.

Eu tava prestes a fazer aquele vendedor engolir todas as Peppas goela abaixo, estava pronta pra dizer tudo que penso sobre esse argumento de venda PORCO que ele vem utilizado, mas, quando percebi, estava eu conversando com o vendedor e o Antonio olhando para a lua.


Ele não queria nada daquilo, entrei em uma crise existencial à toa, fiquei sofrendo pelo desamor alheio enquanto estava perdendo uma lua minguante maravilhosa. Fomos para o carro cantando músicas para a lua. E meu coração se acalentou quando eu disse que o amava e ele respondeu com um: eu sei, também te amo muito.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Tempo livre e suas riquezas.


Este ano o Antonio mudou de escola. Essa nunca é uma opção fácil, eu diria que ainda mais difícil que escolher a primeira escola, pois a gente se habitua a tudo da primeira. Amiguinhos, agenda, festinhas. Tudo.

Parece que fiz uma boa escolha, mas ainda essa semana eu estava encucada com o horário livre que ele tem nessa nova. Quando ele chega alguns alunos da manhã estão dormindo, e os que estão acordados estão folhando um livro no puff, outros fantasiados e outros brincando de lego. Quando vou buscar a mesma coisa.

Mas, a resposta ao meu questionamento, se isso faria bem ou não a ele, veio rápido. Em uma volta pra casa ele me perguntou: “ Mamãe, arco-íris faz barulho?” Foi então que descobri que ele teve uma conversa longa com uma amiguinha sobre o que fazia barulho ou não na natureza.

Que fantástico. Ele me disse que ela gosta de barulho de chuva, e ele gosta mais de barulho de árvore. E o sol, que barulho faz? Isso pra mim é tão rico que parei imediatamente de subestimar o tempo livre que as crianças tem.

No outro dia , quando deixei ele na escola, todos estavam acordados e fantasiados. Deixei ele de uma forma leve, e em pouco tempo ele se transformou em um rico cavalheiro prestes a salvar uma princesa do maldoso pirata.

 
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