terça-feira, 18 de agosto de 2015

O sacrifício da Tigela.

Na minha gravidez, até eu saber que o bebê era menino, eu tinha certeza ABSOLUTA que seria uma menina. Cheguei a comprar um casaquinho cor de rosa em uma liquidação pensando que poderia me arrepender, caso estivesse certa.

Minha intuição de grávida foi por água abaixo. Logo na primeira radiografia que seria possível saber o sexo, veio a notícia: É um piá. Minha alegria foi de ouvir todas as mães me dizendo: que maravilha, meninos são grudados com a mãe. OBA (aham)!!!

Já conseguia imaginar aquele ursinho grudado no meu pescoço por onde for. E foi assim por um bom tempo. Até que chegou os 5 anos e ele se percebeu piá! Como piá, ele está achando muito melhor ser parecido com o pai. Cabelo, time, atitude e muita história para contar.

Isso tudo vem acompanhado da divisão Clube do Bolinha e Clube da Luluzinha. Minhas histórias são chatas e estou tendo que correr atrás de um novo repertório em minha vida. Tive que assistir todos os filmes do Star Wars para acompanhar a vibeda família e, mesmo assim, tive que escutar um: errr, você não sabe nada de Jedi..


Tá, agora sei um pouco mais de Jedi, mas chegou a hora e a vez de aprender a ser hominho. E é quando a mãe vê 2 espelhos em casa e se dá conta da importância de deixar que isso aconteça naturalmente. Nem que, para isso, tenha que sacrificar o cabelo tigelinha que cultivou em um cabeleireiro infantil.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Fantasma Cor de Rosa e o quintal colorido

Mãezinhas. Hoje vamos falar do Fantasma Cor de Rosa. O grande amigo do Antonio. Ele não gosta de legumes e odeia som alto, mas adora pular no sofá. Não é nada organizado, vive espalhando os brinquedos do filhote pela casa. Aliás, já fez muitas coisas erradas, como um risco no sofá e vários copos de leite com Toddy derramados no tapete.

Para um filho único, o Fantasma Cor de Rosa é uma excelente companhia. Os dois brincam por horas no quintal em um mundinho todo colorido.

Mas, há uma semana, o Antonio me deu uma péssima notícia. O Fantasma Cor de Rosa morreu. Ele não sabe bem como isso aconteceu, mas isso entristeceu a todos. Quando vi, estava eu com os olhos cheios de lágrima chorando a morte de um amigo imaginário.


E então, ontem fui ver o INCRÍVEL filme Divertida Mente. Eu teria um post só desse filme, de tão maravilhoso. Mas, nele também tinha um amigo imaginário esquecido na mente da personagem. E ele estava lá, com seu corpinho de algodão doce esquecido na memória (claro que chorei de novo). E o que faz essas criaturas tão queridas de nossas crianças desaparecerem? Mais que isso, o que fazem eles existirem?

Li na revista Crescer que o amigo imaginário é um interlocutor que diz se o que ela está fazendo e pensando é certo ou errado, como um conselheiro. Ou seja, pode ser um buda dentro de nossas crianças. Li também que eles morrem quando a criança percebe que ele não faz mais sentido porque já encontrou outros caminhos para lidar com a realidade.


Então, mãezinha. O Antonio está crescendo e amadurecendo. A cabine de controle dos sentimentos está ficando cada vez mais complexa. Mas é bom saber que sempre existirá um mundinho todo colorido lá no quintal.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Um mergulho na piscina de soldadinhos.


Hoje foi mais um dia de banho com o filhote. Isso quer dizer que o dia começou com muita brincadeira, risada e o mais importante: uma grande missão. Eu simplesmente adoro tomar banho com meu menino pela inocência que vejo meu corpo quando estou com ele. Como quando ele pede para vir no meu colo e transforma o espaço entre meus seios e o corpo dele em uma piscina para os soldadinhos.

Mas, mais que isso, uso esse momento para algo muito maior.

Eu quero realmente aproveitar esse momento com ele para ser o primeiro corpo feminino que ele verá com aqueles olhinhos. Isso porque meu corpo está coberto de imperfeições e ausente de qualquer photoshop. Aos 5 anos ele já sabe que uma mulher tem estrias, celulite e mesmo assim é feliz e grata ao corpo (pelo menos tento demonstrar essa segurança a ele).

Antes que ele sinta vergonha e peça para eu me cobrir, quero realmente dar a ele imagens mentais de um corpo imperfeito. E só assim poderei ser leal com as mulheres que vão surgir na vida dele, sem trapacear. Pois sei que se ele ter contato pela primeira vez com um corpo feminino photoshopado, com seios impecáveis e ausente de imperfeições, mulher nenhuma vai atender à expectativa.


E mais do que isso, a leveza da brincadeira de piscininha de soldados vai mostrar a ele a naturalidade que o corpo merece, pois nada mais é que um abrigo para a alma brincar aqui nesse parquinho que é a vida.

terça-feira, 3 de março de 2015

Besouro gigante.

Antonio em seu mundinho mágico me fez ver que minhas prioridades mudaram radicalmente com sua vinda ao mundo. Eu não sei exatamente em que momento da maternidade isso começou a ser natural, só sei que o grande clichê das pequenas grandes coisas da vida se fez real.

Ontem na casa de minha mãe ele achou um besourinho preto com lista vermelha. Ele se encantou no primeiro olhar, quando percebeu que o bichinho era atleticano que nem a mamãe. Logo foi arranjar um potinho pra ele morar e viver feliz para sempre ao seu lado com o nome de Pedro. Colocou comidinha e levou ele pra escola onde fez maior sucesso entre os amiguinhos.

Hoje, quando acordamos, ele foi logo pegar o bichinho para levar para a casa da vovó. Verificou seus movimentos para ver se estava vivo e vibrou com a primeira mexida de patas. Durante o caminho ele tirava o Pedrinho do potinho e fazia ele realizar nobras radicais. Mas, em uma dessas manobras, o Pedrinho caiu no carro.

Mãe, mãe, o Pedro vai morrer. Pedro. A coisa ficou séria! Vi pelo retrovisor o rosto do TomTom ficar cada vez mais pálido. Ele logo afastou todo o corpo da cadeirinha, ficando só com os pés apoiados no assento para não esmagar o bichinho. Olhei para o relógio e já era 8h55, estava atrasada.

Mas era o Pedrinho, aquele ser gente boa que fez meu filho se encantar pela vida. Não tive muita dúvida, procurei a primeira vaga que tinha e parei o carro bruscamente. Os pedestres que passaram olhavam com um olhar de preocupação. Que seja, era o Pedrinho.


Encontrei ele ainda vivo no chão do carro. Colocamos ele no potinho de volta e fomos para a casa da vovó, onde logo libertaríamos o bichinho para encontrar seus pais. E, de repente, vi um besouro ficar maior que muita gente, simplesmente porque nele eu vi amor.
 
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