quarta-feira, 3 de julho de 2019

Relato de parto: nasceu o irmão mais velho


Eis que nasce um irmão mais velho. E não, não foi exatamente no dia do nascimento da baixinha.

Antes de falar sobre o dia exato em que o Big Brother nasceu, preciso falar do dia do nascimento dela. Era dia 31 de janeiro, véspera do aniversário do Antonio, Olivia resolveu dar os primeiros sinais que estava chegando. As contrações vieram com meu receio dela chegar justamente no niver do irmão. Isso é bom pra eles? Bom... deixa a natureza responder.

Resumindo: fui colocar ele para dormir entre uma contração e outra, e eis que o pequeno coloca a mão na minha barriga e diz: “tudo bem, mana. Pode vir. Amanhã é meu aniversário, mas se quiser vir, venha”. Essas palavras vieram com uma pontada no pé da barriga, era a primeira contração dolorida de verdade, quando derrubei a primeira lágrima de alegria, amor e dor. Era como precisasse daquele aval para iniciar o trabalho de parto. E sim, ela nasceu cerca de 5 horas depois.


Como ela nasceu de madrugada, Antonio dormiu na minha sogra e veio para hospital pela manhã. O primeiro contato foi uma paquera tímida, meio como quem quisesse entender quem é esse novo ser que entraria na vida dele. Os dias se passaram e ele foi aos poucos se envolvendo. Um beijinho aqui, um cheirinho no cangote ali e vi em tempo real um amor crescendo.


Esse amor ia crescendo a medida que a pequena foi interagindo mais. Conversinhas, sorrisos e gritinhos conquistavam cada vez mais o coração daquele irmão aquariano.
Eis que chega o grande dia, o dia do nascimento do irmão mais velho. Estávamos em uma pizzada com os vizinhos do condomínio e uma delas conquistou a Olivia. Bateu o santo das duas e a Oli distribuía gargalhadas para ela, um riso frouxo gostoso. Eis que a vizinha solta a frase: “Que lindinha, vou levar ela pra mim. Posso, Antonio?”

Tomtom veio lá do outro lado da casa que nem um pavão, respirou fundo com um choro entalado na garganta, levantou o dedo e desabafou: “ Não, você não vai levar minha irmã. Fui eu que dei o nome, ela nasceu no dia do meu aniversário e é MEU presentinho. Ela é MINHA irmã.”. Pronto! Presenciei o segundo nascimento do ano, o nascimento do mano protetor, do irmão que quer cuidar, que quer amar e que quer viver uma vida com cumplicidade.


Nasceu e passa bem. Segue todo orgulhoso e quando alguém elogia a pequena, ele solta um “eu que dei o nome e ela nasceu no dia do meu aniversário”, como quem diz: é minha, tira os olhos. E aquela dúvida se seria bom para eles nascerem no mesmo dia? Bom, acho que a vida já respondeu.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Carta para o irmão mais velho.


Filho. Está chegando a hora.

Em breve você vai ter o rótulo oficial de irmão mais velho. Vai ser a referência de criança para outra criança, vai ser o exemplo de menino para uma menina.

Logo logo, meu colo vai se dividir entre dois. Mas quero que você tenha sempre a certeza de que meu coração jamais vai se dividir assim. Eu te amo por completo, mais que ontem e menos do que amanhã. Meu amor por você só cresce, e vivo com a certeza de que isso nunca vai mudar.


Filho, você é e sempre será único. E assim foram seus 9 anos. Sabe o quartinho que montamos pra ela, cheio de detalhes e fofurinhas? Você também teve um. E era do Pequeno Príncipe com frases que acredito que foram a base para você entender o que você vai passar agora, como a célebre: “Você é eternamente responsável por aquilo que cativas.”.

Em breve você vai se ver responsável por ser o espelho para a Olivia (nome este que você mesmo escolheu, inclusive). Mas não se preocupe, junto desta responsabilidade vai ter a delícia e o prazer de ter um bebê em casa, que vai te amar com um amor único que você nunca sentiu antes: o amor de irmã.

Eu tenho dois e posso te dizer, é uma sensação de paz de não estarmos sozinhos nesse mundo. Ter um irmão pra mim sempre foi sinônimo de acalento, mesmo na infância quando muitas vezes nós discordávamos ou brigávamos. Por maior que fosse a crise, ter com quem contar por uma vida inteira e poder compartilhar dos prazeres e das dores da mesma educação é simplesmente incrível.

O ciúmes vai bater, a saudades do tempo que meu tempo era só seu vai apertar. Mas nunca, jamais se esqueça: você é o meu primeiro amor eterno. E pra sempre, sempre e sempre mais eu vou te amar.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Siga o mestre!

Quando temos um filho, automaticamente nos tornamos mestres. Por menos preparados que a gente esteja (foi o meu caso com 25 aninhos), a responsabilidade de dar o exemplo, ensinar e educar pesa como uma enciclopédia gigante que temos que carregar.

Passamos a ler livros, voltamos a estudar matemática, ciência e geografia, passamos a ser mais responsáveis com a própria vida para que o filho seja responsável também em um futuro próximo. De mestres à autoridade.

Nos vemos tão sérios às vezes que pensamos que somos inquestionáveis, uma imagem perfeita daqueles professores durões da década de 50, ou a tão temida diretora da escola. 

Mas a maternidade dá uma rasteira atrás da outra pra nos mostrar que eles também são mestres. Desde neném, quando nos ensinam que quando estamos calmos e pacientes a vida flui muito melhor (em outras palavras, eles choram menos e dormimos mais). 

E esta semana, meu mestre no alto dos seus 7 anos me deu uma outra lição. Estava eu com uma viagem de final de semana planejada para a praia, iríamos só eu, ele e uma barraca. Mas o pequeno Jedi sentiu que precisava ficar, queria fazer companhia para o primo menor que anda em uma fase difícil.

Eu insisti, mostrei fotos da Ilha do Mel, contei tudo que tinha planejado até que parei para escutar as sábias palavras:

“Mãe, o que é mais importante para você: as pessoas ou o lugar?”

E então... o que é mais importante para você, ser uma autoridade e dizer que iremos mesmo assim, ou dar valor para este nobre sentimento e ficar na gélida Curitiba comendo pipoca e vendo Patrulha Canina?


Eu prefiro aprender. Descer do salto da maternidade e perceber que o mestre mais puro que conheci veio do meu próprio útero.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Papai e mamãe não namoram mais.

Filho, é difícil explicar o que acontece com as relações amorosas. Eu juro que, se eu entendesse de verdade, te explicaria com todas as letras que você merece- e já conhece. Mas alfabetização nenhuma vai poder te explicar com clareza.

Aos poucos você vai compreendendo que a vida é assim, uma série de acontecimentos inesperados que transformam a nossa história. Mas uma coisa é certa: os seus questionamentos estão deixando tudo mais claro pra mim também (porque adultos tem dificuldade em aceitar certas situações).

Prometo ter paciência pra responder todas as perguntas, mas infelizmente algumas delas vou continuar respondendo com lágrimas nos olhos e com o coração apertado. Acho que nesses meses você também reparou que adultos também choram. E devem chorar, porque expressar sentimentos é libertador (é sério, nunca pare de chorar).


Filho, você foi feito em um momento de completa paixão e amor. Você é fruto de um frio na barriga, que se transformou em vertigem e que se transformou em enjoos de gravidez. Foi tudo muito rápido e intenso, e você teve que conviver por 9 meses ao lado de borboletas no meu estômago.

Essa paixão se transformou em amor. E com ele viajamos, bebemos, brigamos, rimos, discutimos, discordamos, nos amamos de novo, nos reinventamos, tentamos, nos machucamos, perdoamos, nos amamos, gritamos, tentamos mais uma vez... até o fim.

“O fim de quê?”, você me pergunta. O fim do namoro. Papai e mamãe não namoram mais. Podemos simplificar assim por enquanto, pode ser? A mamãe não olha mais para o papai com o mesmo olhar, papai não dá mais aquela piscadinha desconcertante e os dois não se beijam mais na boca.


Mas sabe de uma coisa? Mamãe e papai se amam. E estarão sempre, sempre ao seu lado. Como hoje mesmo, que estávamos juntos na reunião com a professora Paula (pausa para o pito: o senhor anda conversando muito, garotinho).

A única e grande diferença é que não saímos da escola de mãos dadas. E cada um foi para um lado da rua. 


terça-feira, 25 de outubro de 2016

A fruta não cai longe do pé.

Há alguns dias eu fui obrigada a encarar uma realidade em minha vida: não nasci para ser normal. Aquela normalidade que a sociedade encara como “sucesso”, “deu certo na vida”, “valeu a pena o investimento”.  E é claro que procurei um parceiro com o mesmo nível de loucura. 



O “normal” lá em casa é quebrar a cabeça fazendo paródias coletivas (acho que enquanto as famílias normais estão discutindo orçamento, sei lá).A frase mais comum em nossas conversas começam com “Imagine se...”, seguida de viagens em um universo paralelo que a gente nunca sabe onde vai chegar, e quando vai parar. É nesse universo paralelo que nos sentimos seguros. É lá onde tudo acontece.

Mas quando voltamos para a realidade, essa realidade de “não ser normal” veio estampada em uma frase que o pequeno disse ao meu marido: “papai, me chamaram de louco na escola”. 



Pronto, foi o suficiente para a mãe surtar. Os neurônios entrarem em conflito com questionamentos infinitos que cabem em 5 segundos. E agora? Será que estamos errando? Será que não temos que colocar mais o pé no chão? Será que não somos loucos de verdade?

Depois desses 5 segundos infinitos, perguntei ao Carlos:

-E aí, amor, o que você disse a ele?
- Cantei a Balada do Louco até ele dormir.


Pronto! Descobri que a fruta não cai longe do pé! E que bom!


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Trabalhar fora, ficar em casa e a certeza de Dori.

Ninguém nos avisa, nenhum livro nos prepara. Mas exercer a maternidade é ter constantemente incertezas e, mesmo assim, mostrar a firmeza de um cientista. É ter mil perguntas na cabeça e ser obrigado a afirmar pro filhote que sim, estamos certos.

Hoje faz uma semana que estou em casa com o filhote. As circunstâncias me trouxeram de volta. E percebi que essa dualidade entre “Mãe que trabalha fora” e “Mãe que fica em casa” não tem nada a ver com certezas. ambas as partes tem dúvidas, dores, aflições. e muitas incertezas.


Trabalhando fora, estava mostrando ao meu filho a mulher forte que posso ser. Estava mostrando a ele a importância do trabalho, estava contribuindo com as contas ativamente e inspirando ele com minhas histórias fora de casa. Mas a dor de deixá-lo de manhã e, muitas vezes não vê-lo a noite é enorme. Alguns dias deixava bilhetinhos para ele saber que eu existo, engolia o choro e partia.

Algunas dias eu chegava em casa estressada. E não me doava como queria.. não estava presente de fato. Queria brincar, mas ao mesmo tempo dormir e algumas vezes chorar. Gritei algumas vezes, pedi perdão outras tantas.

Hoje eu estou aqui, há uma semana presente! Acordo cedo, tomamos café, às vezes jogamos bola, às vezes assistimos desenhos e o tempo passa devagar.. A impressão que tenho é que temos todo tempo do mundo, posso mostrar pra ele como ele é importante pra mim.

Todo tempo que senti falta dele, agora é todo nosso. temos tempo.. muito tempo.E o que faço com tanto tempo? Quando vou voltar a ter tempo pros meus projetos? E eu? Ah... dores...incertezas.. será que estou dando muita liberdade? Será que não deveria disciplinar melhor ao invés de jogar bola de igual pra igual?

A única certeza na maternidade é essa: jamais teremos certeza. E jamais devemos deixar que a sombra do “e se..” nos perturbe. E, se nem nós mesmas temos certezas, é fundamental JAMAIS julgar a opção de outras mulheres. Respeito às escolhas é fundamental. Como diz o poeta Caetano, “ cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Então, mesmo diante de nossas incertezas, vamos seguir o conselho da poeta Dori: “continue a nadar, nadar, nadar..”




quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O que pais fazem quando os filhos não estão em casa?

Imagine a seguinte situação. Um casal jovem deixa o filho na casa da vó no norte do Paraná, vem para Curitiba sozinho. Os dois determinam o tempo, duas semanas para o menino curtir as férias. Piscina, priminhos e todos os mimos que uma casa de vó permite.

O que esse casal faria? Primeiro dia, 13h  seguidas de série. Escolhem exatamente aquela que jamais assistiriam com o filhote por perto. Segundo dia, vinho. Muito vinho. Inauguração de taças novas para viver uma sensação velha que há tempos não era vivida. Um dia para o casal. Terceiro dia, bar com amigos. Mas ali a conversa ja muda. Uma ligação para o filhote e a ideia: “porque não aproveitamos para pintar o quartinho dele?”. Pronto. Ideias assim já mudam todo contexto.


Quarto dia, vamos ver tinta. Quinto dia, mais ideias. “E que tal a gente comprar o material escolar”. Boa! Em cada caneta, uma saudade. Em cada capa de caderno, uma memória. E a sensação de que é fato. Vivemos e morremos por eles. Enfrentamos tempestades, angústias e o que for para vê-los felizes.  E não há milha que distancie nossos pensamentos do Antonio. Mas afinal, o que os pais fazem quando os filhos não estão em casa? Tudo. Por eles.
 
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