segunda-feira, 27 de junho de 2016

Trabalhar fora, ficar em casa e a certeza de Dori.

Ninguém nos avisa, nenhum livro nos prepara. Mas exercer a maternidade é ter constantemente incertezas e, mesmo assim, mostrar a firmeza de um cientista. É ter mil perguntas na cabeça e ser obrigado a afirmar pro filhote que sim, estamos certos.

Hoje faz uma semana que estou em casa com o filhote. As circunstâncias me trouxeram de volta. E percebi que essa dualidade entre “Mãe que trabalha fora” e “Mãe que fica em casa” não tem nada a ver com certezas. ambas as partes tem dúvidas, dores, aflições. e muitas incertezas.


Trabalhando fora, estava mostrando ao meu filho a mulher forte que posso ser. Estava mostrando a ele a importância do trabalho, estava contribuindo com as contas ativamente e inspirando ele com minhas histórias fora de casa. Mas a dor de deixá-lo de manhã e, muitas vezes não vê-lo a noite é enorme. Alguns dias deixava bilhetinhos para ele saber que eu existo, engolia o choro e partia.

Algunas dias eu chegava em casa estressada. E não me doava como queria.. não estava presente de fato. Queria brincar, mas ao mesmo tempo dormir e algumas vezes chorar. Gritei algumas vezes, pedi perdão outras tantas.

Hoje eu estou aqui, há uma semana presente! Acordo cedo, tomamos café, às vezes jogamos bola, às vezes assistimos desenhos e o tempo passa devagar.. A impressão que tenho é que temos todo tempo do mundo, posso mostrar pra ele como ele é importante pra mim.

Todo tempo que senti falta dele, agora é todo nosso. temos tempo.. muito tempo.E o que faço com tanto tempo? Quando vou voltar a ter tempo pros meus projetos? E eu? Ah... dores...incertezas.. será que estou dando muita liberdade? Será que não deveria disciplinar melhor ao invés de jogar bola de igual pra igual?

A única certeza na maternidade é essa: jamais teremos certeza. E jamais devemos deixar que a sombra do “e se..” nos perturbe. E, se nem nós mesmas temos certezas, é fundamental JAMAIS julgar a opção de outras mulheres. Respeito às escolhas é fundamental. Como diz o poeta Caetano, “ cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Então, mesmo diante de nossas incertezas, vamos seguir o conselho da poeta Dori: “continue a nadar, nadar, nadar..”




 
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