Ninguém nos avisa,
nenhum livro nos prepara. Mas exercer a maternidade é ter
constantemente incertezas e, mesmo assim, mostrar a firmeza de um
cientista. É ter mil perguntas na cabeça e ser obrigado a afirmar
pro filhote que sim, estamos certos.
Hoje faz uma semana
que estou em casa com o filhote. As circunstâncias me trouxeram de
volta. E percebi que essa dualidade entre “Mãe que trabalha fora”
e “Mãe que fica em casa” não tem nada a ver com certezas. ambas as partes tem dúvidas, dores, aflições. e muitas
incertezas.
Trabalhando fora,
estava mostrando ao meu filho a mulher forte que posso ser. Estava
mostrando a ele a importância do trabalho, estava contribuindo com
as contas ativamente e inspirando ele com minhas histórias fora de
casa. Mas a dor de deixá-lo de manhã e, muitas vezes não vê-lo a
noite é enorme. Alguns dias deixava bilhetinhos para ele saber que
eu existo, engolia o choro e partia.
Algunas dias eu
chegava em casa estressada. E não me doava como queria.. não estava
presente de fato. Queria brincar, mas ao mesmo tempo dormir e algumas
vezes chorar. Gritei algumas vezes, pedi perdão outras tantas.
Hoje eu estou aqui, há
uma semana presente! Acordo cedo, tomamos café, às vezes jogamos
bola, às vezes assistimos desenhos e o tempo passa devagar.. A
impressão que tenho é que temos todo tempo do mundo, posso mostrar
pra ele como ele é importante pra mim.
Todo tempo que senti
falta dele, agora é todo nosso. temos tempo.. muito tempo.E o que faço com tanto tempo?
Quando vou voltar a ter tempo pros meus projetos? E eu? Ah...
dores...incertezas.. será que estou dando muita liberdade? Será que
não deveria disciplinar melhor ao invés de jogar bola de igual pra
igual?
A única certeza na
maternidade é essa: jamais teremos certeza. E jamais devemos deixar
que a sombra do “e se..” nos perturbe. E, se nem nós mesmas
temos certezas, é fundamental JAMAIS julgar a opção de outras
mulheres. Respeito às escolhas é fundamental. Como diz o poeta Caetano, “ cada um sabe a dor e a
delícia de ser o que é”. Então, mesmo diante de nossas
incertezas, vamos seguir o conselho da poeta Dori: “continue a
nadar, nadar, nadar..”
Muito lindo Mari, adoro sus posts
ResponderExcluirum beijo