sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Filho bem, mãe surtada.

Hoje parece uma sexta-feira normal para um curitibano: céu nublado depois de uma semana de sol, nada demais. Mas para uma mãe de piá sem seu piá há 3 dias, e mais, com cria e o pai juntos em uma viagem pela primeira vez, é de enlouquecer qualquer mãe zen.

Não adianta, mãe longe do filho sempre imagina o pior. Na praia? Vai se afogar, vai sumir pela areia, isso se não tiver areia movedissa, vai se queimar a ponto de sair bolhas, vai pegar bicho de pé, virose e depois desidratar. Santa virgem, se comer camarão então? Intoxicação alimentar.

E esse meu desespero, contido e discreto- só foi revelado agora nesse blog- só ia aumentando quando o amigo do pai do Antonio postava fotos dele no facebook. Primeiro da viagem, ele tapando os ouvidos por causa do Havy Metal do pai. Depois indo pra praia, na mesma cadeirinha, com 90% do sorvete derretido pelo corpo.

A ponto de pegar o carro e ir me descabelando pela serra, me achando a mãe salvadora, a única da pátria capaz de cuidar de sua cria, recebo uma ligação.

- Oi, mãe, to na praia. Te amo. Tchau, to vendo o mar.

Aaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh, que alívio. Ele está bem. Bem não, ele está ótimo. Saiu da ligação cantarolando e brincando.


É mãezinha... você é essencial, mas não tão fundamental quanto imagina.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Amor correspondido


Uma coisa é fato consumado, o amor de mãe é incondicional. Mãe dá amor e demonstra isso sem esperar por nada, faz tudo pelo filho e se vira em 30 para poder fazer o melhor possível para sua cria.

Mãe levanta quando tem sono pra cobrir o filho de noite, dá a última colherada do sorvete pra ter uma consciência limpa, tira paciência de Buda pra não perder o controle em momentos de manha e outras mãezices que só sendo pra saber.

Mas, mesmo sem esperar e muito menos exigir, quando esse amor é correspondido tudo é compensado em segundos. Pequenos atos do filho fazem todo cansaço valer a pena.

Hoje meu filhote deitou na minha barriga quando ela roncou. Ele se levantou assustado e perguntou: Que isso mãe? Ao explicar que era fome, o Antonio foi até a cozinha, pegou uma banana e me deu. Quando eu fui pegar a banana ele disse: Não, mamãe. Deixa eu cacá (descascar).

Eu comi a fruta me segurando pra não chorar, recarregando minhas energias de mãe com um orgulho profundo de estar criando uma pessoinha sensível e gentil.  Meu amor continua incondicional, mas confesso que não vejo a hora de receber esse carinho outra vez.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Revivendo e aprendendo.


O mês de outubro passou voando para alguns, mas pra mim passou bem devagar. Foi o mês em que o Antonio saiu do berço e foi para a caminha, foi o mês que mais se assemelha ao primeiro mês de vida dele, de todos os 32 meses de vida do rapaz.


O dia em que o filhote ficou em pé no berço
Desmontei o berço e montei a cama com a ajuda da diarista em uma tarde de segunda-feira, péssimo dia, por sinal. Enfim, estava ansiosa para a primeira noite e feliz pela independência do filhote. Eis que a noite chegou, e o Antonio saiu da cama nada mais nada menos que 30 vezes.


Eu e o maridão relembramos velhos tempos em que achávamos que não daríamos conta. Fizemos tudo igual, revezamos para levar ele de volta, não voltamos atrás nenhuma vez, tivemos paciência e desta vez, pela trigésima vez, demos conta. Várias noites de outubro foram assim, algumas mais fáceis, outras iguais.


Dentro das milhares , ou melhor, milhões de coisas que a maternidade ensina é que a vida sempre te dá uma segunda chance. Seja por provação ou simplesmente para relembrar um aprendizado, muitas vezes temos que reviver o que achávamos ter superado. Algumas vezes  percebemos que não estava assim tão superado, e temos que ser humildes e agradecer pela oportunidade. Tudo bem, café e pó de guaraná estão aí pra isso.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Saudades da barriga

Hoje fiquei sabendo que duas amigas estão grávidas. Uma pela primeira vez e outra será a segunda gestação. Que delícia saber que elas vão vier, ou reviver um grande prazer da vida de uma mulher.

Nenhum homem jamais vai entender o que acontece nesse momento.  Primeiro apenas a consciência de estar gerando uma vida, depois a experiência real de gerá-la. São sensações absurdamente reais de se ter alguém que depende totalmente de você, de sua alimentação, de seu estado físico e o mais intenso, de seu estado emocional.

E quando começa a mexer então, ai que delícia. É a certeza de ter sua cria ali, totalmente protegida de qualquer intempérie que o mundo aqui fora pode causar. É você jamais sozinha, onde quer que se vá.
Saudades da barriga é o que sinto hoje.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Ribeirão do Pinhal com menos medo.


Gente, fui pra Ribeirão do Pinhal, cidade onde mora minha avó e outros parentes queridos. Cidade em que passei os momentos mais gostosos de minha infância, onde eu tinha liberdade de tomar banho de chuva, subir nas árvores e muitas coisinhas mais que só uma cidade do interior proporciona.


E meu piá foi comigo, o que torna sempre a cidade ainda mais especial. Ver ele revivendo o que eu vivi é mágico, com certeza um grande presente do dia das crianças.  Mas alguma coisa era diferente, ele revive muitas coisas, mas de um jeitinho só dele.

O Antonio é destemido, enfrenta tudo com cautela, mas não deixa de enfrentar TUDO. Corre atrás das galinhas, faz carinho no cachorro que todo mundo teme e, claro, deixa a mãe maluca. Morro de medo que galinhas biquem, cachorros mordam, ele caia e quebre a perna entre outros acidentes. São tantos medos que geram um ainda maior, o medo de colocar medo no Antonio.

Os medos das mães podem paralisar uma criança criativa e valente, pode cortar as asinhas para sempre. Ele é saudável quando está ao lado, mas quando toma a frente e domina, ele se torna um obstáculo para a vida seguir leve e tranquila. A medida do medo é da palavra CUIDADO, não da palavra NÃO. 

domingo, 7 de outubro de 2012

Pais levam filhos pra balada


Calma, calma, minha gente. Eu ainda não levei o Antonio para balada. Ele nem completou três anos, mas depois dos 18, quem sabe, pode ser um bom companheiro. O fato é que, se os pais saem juntos, uma hora ou outra o assunto Filho surge na conversa. E depois disso, pode ter certeza que 80% do assunto será o filhote.

Comprovei isso na sexta, quando recebi uma ligação do meu maridão para me convidar para uma noite intensa num bar que marcou nosso namoro. O coração acelerou e logo entrei em um clima de romance delicioso, aquela vontade de reviver a paixão.

Lá pelas tantas o nosso amigo Filipe perguntou pelo Antonio e como um flash tudo mudou, o pai e a mãe assumiram seus papéis e não pararam de falar por 1 hora, até perguntamos a opinião dele sobre um novo método Super Nanny que queremos assumir em casa.

Depois da empolgação, uma suspirada e a conclusão de que nunca mais estaremos sozinhos, ele irá conosco em nosso pensamento onde quer que a gente vá. Ainda nos restou algumas horinhas de paixão, diversão e bebedeira, mas dessa vez voltamos de taxi, temos uma vida inestimável a zelar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Piás e a lealdade!

Uma coisa é fato e percebido desde muito cedo, piás são fiéis a seus amigos. Meninas, temos muito a aprender nesse quesito. O primeiro brother do Antonio foi o Enzo e fico super feliz em ver a evolução da relação deles.

Outro grande amigo fiel está sendo o Malkie, cachorro de minha mãe. A fidelidade é tanta que não há quem brigue com o cão perto dele, ele logo coloca a mão na cintura e solta um "Pára. O Malkie é amigo do Antonio."

Ontem mesmo minha mãe prendeu o cachorro na cozinha e o meu piá, com sua estratégia de brother pegou a mão da vovó, levou pra dentro e disse: "vai nanar um pouco vó", saiu correndo e foi logo libertar o cão, que logo foi pular e correr atrás dele em sinal de agradecimento.

É isso aí, vejo que quanto mais os anos se passam, mais a lealdade aumenta. Meninas, vamos nos unir! Senão vamos ficar pra trás, pois sim, é fato, meninos se protegem!


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Seus primeiros, haja coração.


Hoje foi a primeira vez que o Antonio foi ao cinema. Foi muito emocionante esse primeiro contato dele com uma de minhas paixões. O olhar dele se manteve atento a todo tempo, em todos os detalhes. Nem tempo para pipoca ele teve, se não fosse a vó dar na boca e ele mastigar, ele ficaria lá, boquiaberto. Só deu essa leve fechadinha de olho na hora dos flashes da mãe babona.

Esse foi mais um primeiro de muitos.. quando ele tinha 7 meses foi a vez da primeira beterraba, quando fiz um texto sobre seus primeiros. Depois desse texto ainda tiveram várias descobertas, como a  primeira palavra (11 meses) , o primeiro passo (1 ano e 1 semana), o primeiro beijinho jogado, o primeiro pulo entre tantos e tão doces primeiros.

A primeira beterraba entre muitas beterrabas, entre muitos primeiros.

E serão tantos que meus olhos devem se manter abertos, meus ouvidos atentos
e minha alma disposta.

Só assim, filhote, poderei acompanhar seus primeiros com a naturalidade real da beterraba mordida.


 

domingo, 30 de setembro de 2012

Sol, futebol e piás.

Hoje fez um belo dia de sol, o que é ideal para brincadeiras no quintal. Em uma breve visita do vô Carlos, o Antonio jogou futebol, com direito a comemorações de craque. Gritos de gol, batidas de mão no peito, beijo na camisa e outras atitudes herdadas de um jogador nato.

E uma pergunta do vô para a definições dos times arrancou muitas risadas:

- O vovô ta jogando pelo Coritiba, e o Antonio joga por quem?
_ Toxa!  (Coxa)

A alegria do vô foi contagiante, a decepção da mãe natural. Mas o fato é que ainda na cabecinha dele Coxa (vô e tia), Furacão (mãe) e Paraná (pai) geram o mesmo resultado, alegria! A torcida em si só faz sentido se quiser agradar alguma das partes.

A guerra pelo time acontece mesmo antes do nascimento. Ainda na barriga o Antonio ganhou uma chupeta do Atlético, um gorro do coxa e uma camisa do Paraná. Até sócio-torcedor ele já é, com direito a carteirinha do Tricolor e tudo. Em meio a tantos presentes e tantas competições sempre me questionei: e se ele gostar de balé?

Parece que essa nunca é uma possibilidade para um piá, ele tem que gostar de futebol e pronto. Não só isso, ele tem que escolher um time e ser fiel, tem que honrar a camisa e ser sócio. Enfim, já sofri tanto pelo meu time, chorei, quebrei um telefone, briguei e hoje vejo como isso não vale a pena.

A única camisa que quero que ele honre é do Brasil em 4 e 4 anos de Copa, mãe não quer que filho sofra. Se for para sofrer por uma camisa, essa vale a pena, essa é linda de torcer! Mas, caso escolha um time, como uma grande preocupação do vô Carlos, que seja do Paraná. Que seja para respeitar o nosso estado e não favorecer um time "grande" de São Paulo ou Rio. Que seja por ideal, como tudo na vida deveria ser....

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O dia que virei um autorama.


É incrível como o carro surge na vida dos meninos desde muito cedo. Eu não vi com detalhes como isso aconteceu, quando pisquei o Antonio já estava fazendo: vrummm, bibiii. Não sei com quem, quando, e onde isso aconteceu, mas sei que o carro vira uma paixão avassaladora.

Mas não cabe a mim analisar se isso é bom ou ruim, se isso vai o tornar um playboy a lá Carli Filho e acabar enlouquecendo com  essa possibilidade, cabe a mim me divertir junto e entrar na brincadeira. Mas o engraçado é que entrei na brincadeira mesmo sem querer.

Foi um dia que estava vendo tv no sofá enquanto ele brincava. Ele tinha recém andado, o equilíbrio era uma novidade, mas já estava no braço do sofá com um carrinho “vruummm, bibi”. Foi quando ele teve a brilhante ideia de ampliar o horizonte e aumentar seu autorama, me usando como curva de estrada.

Ai, como isso me incomodava. Assistir TV nunca mais teve a mesma forma, agora tenho que participar. Basta a mim ser a melhor curva de estrada que puder, ter pontes, desafios e fazer com ele uma perseguição de Missão Impossível, apenas sendo a estrada.

Bom. Essa semana eu me cansei um pouco dessa vida estática de asfalto, parti para a ação. Peguei um carrinho e iniciei uma perseguição incessante pelo carro do Antonio. Foi quando os dois bateram e “Bum” “Ahhhh”. Mas logo meu carro se recuperou e partimos os dois para uma estrada que estava nos esperando: As curvas do papai.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

De foguete rumo à casa do bichinho.


Hoje pela manhã estava eu resolvendo um conceito de uma campanha de dia das crianças, tentando fazer essas associações malucas que os publicitários criativos precisam fazer (e, aliás, fazem também sem precisar), concentrada em meu raciocínio quando recebo uma ligação.

No outro lado da linha era minha mãe, dizendo que o Antonio queria falar comigo. Apesar de quase três anos ele ainda fala um pouco enrolado, mas mãe entende até quando o filho ainda não fala.  Antes mesmo de atender já percebi a empolgação do garoto. Ele atendeu e, sem ao menos dar oi, me disse:
-Antonio ajando num fodeti (Antonio viajando em um foguete).

Meu coração disparou, viajei por alguns segundos  junto no foguete. Suspirei, me despedi e desliguei.
Voltando para o meu raciocino “criativo”, olhei para o problema e tudo mudou. Porque eu também não posso viajar no foguete? A gente nunca deveria perder a imaginação fértil, tudo poderia ser associado e ganhar uma livre utilidade.

Chegando na casa da minha mãe eu, meu marido e meu primo, para o almoço, vêm o Antonio mostrar uma concha e coloca no ouvido para escutar. Meu primo, um dos que viaja no foguete, diz:

-Olha, aí dentro tem um monstro que o vô Orlando capturou no mar.

E o Antonio responde com um:

-Não, é a casa do bicho.

Putz... lascou. Meu coração entristeceu. Se fosse outro dia, se não tivesse acontecido aquela ligação, eu até poderia me orgulhar pelo belo raciocínio lógico do Homem. Mas essa resposta me veio como um tapa na cara.  Não, mãe. Nem tudo pode ser associado e criar outra utilidade. O menino está crescendo e as coisas, aos poucos, vão criando uma lógica concreta.

Passado alguns minutos o Antonio pegou uma almofada volante e voltou para seu sofá foguete, me trazendo alívio e conforto. Meu primo também já garantiu seu volante e partiu para uma viagem rumo à sua infância.




quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Meninas fofinhas nunca mais serão as mesmas.


Sabe aquelas meninas delicadas e bonitinhas que você sempre admirou? Aquelas mesmas, com olhar angelical e bochechas rosadas, típicas de propaganda de qualquer coisa também fofinha? Pois então, isso era antes de você ter um piá.

Quando seu neném começa a interagir com as outras crianças e você se percebe como telespectadora de um universo a parte, em que a inocente sinceridade prevalece, você percebe que seu filho será coagido pelas meninas.
Eu não sei o que acontece exatamente, mas elas querem criar um romance de conto de fadas a qualquer custo, desde muito novas. Essa foto é em um natal em que a Ana (na foto) vizinha e sua priminha Luana beijavam o Antonio loucamente que, coagido, disfarçava e sempre dava um jeito de mudar o rumo da brincadeira.

Mãe de meninas, por favor. Não as iludam com contos de fadas que as fazem acreditar que a única salvação vêm de um príncipe encantado que vem a cavalo e que, ao encontra-lo, será preciso agarrar a qualquer custo.

Nós, mães de piás, agradecemos. Pois graças a esse posicionamento, vejo essas meninas como uma ameaça a paz e a criatividade do meu filhote. Ele só quer brincar de carrinho e de monstro, de pirata....
Meu Deus, virei a sogra megera! Isso mesmo, quando essa visão de meninas ameaçadoras e monstruosas distorcem nosso olhar, é hora de parar e analisar.

Não devemos esquecer que um dia fomos essas meninas ameaçadoras e sonhadoras. Não devemos esquecer das marcas deixadas por essa esperança cega de um dia encontrar alguém que nos complete.

Essa consciência deve deixar em nós uma missão: a de educar nossos piás para compreender as diferenças. Só assim eles terão sensibilidade o suficiente para não machucar, ou ao menos não iludir essas meninas, um dia garota e depois mulheres. Não poderemos mudar nossas cicatrizes, mas quem sabe fazer diferença para vida das meninas fofinhas.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sim, ele tem um pipi.


Parece óbvio que junto do pacote de ser mãe de um piá vem um pipizinho. Mas a verdade é que, quando ele está em nosso ventre, o pintinho é apenas um indicativo na ecografia que o feto é do sexo masculino. Toda mãe tem guardada a radiografia da grande descoberta.


Essa relação com o pipi começa a mudar no nascimento, logo na maternidade. Sempre vem a primeira piada que o usa como significado de macheza. No meu caso, a primeira piada veio do meu pai orgulhoso que dizia que “As enfermeiras chamavam ele de Toninho, até abrir a fralda e chamarem ele de Tonhão”. Para muitos uma grande brincadeira, para a mãe um indício que aí vem problema.


É a grande preocupação de que isso um dia pode voltar contra nós mulheres, pois se o pipizinho for tratado como prêmio de pequenininho, logo vem a imposição de poder sobre quem não os têm, nós mulherzinhas.
Enfim, tirando esse lado psicológico que simplesmente não temos controle, apenas fazemos nossa parte, existe o lado prático da coisa. Aí o bicho pega!


Durante alguns anos da vida dele, é você que será responsável pela higiene e pelo xixizinho desse piá. Tudo parece simples, até vir a primeira ereção. Ela acontece logo nos primeiros meses, e para meu azar, aconteceu em uma troca de fralda que eu estava realizando. Nenhuma mulher está preparada pra isso, simplesmente porque não entende.




Apertei algum botão errado? Será que ele é um piá precoce? Bom, tudo ficou claro quando pedi ajuda para o maridão. Ai, que alívio. Nada melhor nessas horas do que ter um expert no assunto ao lado. Ele me explicou, junto a uma Música de Rogério Skylab que isso acontece mesmo não sendo bexiga cheia, nem mulher pelada. Assim de repente, acontece.


Pronto. Compreendendo o funcionamento do pipi tudo ficou mais fácil. Voltei a cuidar da higiene com a naturalidade que a biologia, ou o Rogério Skylab, explica. Mas as dúvidas continuam surgindo. Fazer xixi em pé ou sentado? Se tiver durinho e eu mexer, pode quebrar? A verdade é uma só, é um instrumento totalmente novo que exige da mãe apenas uma coisa: naturalidade.

É piá, e agora?!?!

Eu acho que, de fato, nenhuma mulher nasceu preparada para ser mãe de um piá. Não pela maternidade em si, mas todo o pacote de informações que um piá carrega.

Quando a mulher se depara com a notícia que está esperando um piá, cai uma ficha não antes pensada, que é: estou esperando um Homem. Sim, esse piá vai crescer, e aos poucos vai se transformando. Primeiro ele se torna aquele garoto que você odiava no colégio, que fazia brincadeiras e piadas incompreensíveis pela sensibilidade feminina. Depois se torna aquele garoto que tanto te fez sofrer por amor, simplesmente por não ter a mesma compreensão de o que é o amor que você.

Logo em seguida ele se torna aquele rapaz que você se apaixonou e que, inclusive, você está grávida dele no momento, que é uma incógnita ambulante e que você tenta conviver harmoniosamente, mesmo com tantas diferenças.

E, por fim, o mais aterrorizante. Ele vai se transformar em um Homem, como seu pai. Sim, aquela primeira referência do sexo masculino que todas nós tivemos. Aquele que misturava em nós um sentimento de ódio mortal e admiração. Aquele que muitas vezes nós nos questionamos se era real ou virtual, pois o posicionamento dele diante da vida era tão diferente do nosso como um extra-terrestre que tenta contato com o planeta terra.

Mas, aí que está o grande lance de ser mãe de um piá. É a grande chance da mulher entender de vez esse bicho de 7 cabeças que é o sexo masculino. É a chance de ver de perto a transformação de todas as fases desse piá e entender de vez o porque das piadas de mal gosto, o porque do desprezo pela leveza, o porque da prevalência pela razão, e o mais interessante, amar todas essas fases.

Boa sorte para as novas, velhas e aspirantes a Mãe de Piá.

Esse é um mundo novo que, quando compreendido, não vai deixar você questionar se fazer chuquinhas e pintar a unha de uma pimpolha não seria melhor.


 
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