Quando temos um filho,
automaticamente nos tornamos mestres. Por menos preparados que a gente esteja
(foi o meu caso com 25 aninhos), a responsabilidade de dar o exemplo, ensinar e
educar pesa como uma enciclopédia gigante que temos que carregar.
Passamos a ler livros, voltamos a
estudar matemática, ciência e geografia, passamos a ser mais responsáveis com a própria vida para que o
filho seja responsável também em um futuro próximo. De mestres à autoridade.Nos vemos tão sérios às vezes que pensamos que somos inquestionáveis, uma imagem perfeita daqueles professores durões da década de 50, ou a tão temida diretora da escola.
Mas a maternidade dá uma rasteira atrás da
outra pra nos mostrar que eles também são mestres. Desde neném, quando nos
ensinam que quando estamos calmos e pacientes a vida flui muito melhor (em
outras palavras, eles choram menos e dormimos mais).
E esta semana, meu mestre no alto dos seus
7 anos me deu uma outra lição. Estava eu com uma viagem de final de semana
planejada para a praia, iríamos só eu, ele e uma barraca. Mas o pequeno Jedi
sentiu que precisava ficar, queria fazer companhia para o primo menor que anda
em uma fase difícil.
Eu insisti, mostrei fotos da Ilha do Mel,
contei tudo que tinha planejado até que parei para escutar as sábias palavras:
“Mãe, o que é mais importante para você: as
pessoas ou o lugar?”
E então... o que é mais importante para
você, ser uma autoridade e dizer que iremos mesmo assim, ou dar valor para este
nobre sentimento e ficar na gélida Curitiba comendo pipoca e vendo Patrulha
Canina?
Eu prefiro aprender. Descer do salto da
maternidade e perceber que o mestre mais puro que conheci veio do meu próprio útero.