Eis que nasce um irmão mais velho. E não, não foi exatamente
no dia do nascimento da baixinha.
Antes de falar sobre o dia exato em que o Big Brother
nasceu, preciso falar do dia do nascimento dela. Era dia 31 de janeiro, véspera
do aniversário do Antonio, Olivia resolveu dar os primeiros sinais que estava
chegando. As contrações vieram com meu receio dela chegar justamente no niver
do irmão. Isso é bom pra eles? Bom... deixa a natureza responder.
Resumindo: fui colocar ele para dormir entre uma contração e
outra, e eis que o pequeno coloca a mão na minha barriga e diz: “tudo bem,
mana. Pode vir. Amanhã é meu aniversário, mas se quiser vir, venha”. Essas
palavras vieram com uma pontada no pé da barriga, era a primeira contração dolorida
de verdade, quando derrubei a primeira lágrima de alegria, amor e dor. Era como
precisasse daquele aval para iniciar o trabalho de parto. E sim, ela nasceu
cerca de 5 horas depois.
Como ela nasceu de madrugada, Antonio dormiu na minha sogra
e veio para hospital pela manhã. O primeiro contato foi uma paquera tímida,
meio como quem quisesse entender quem é esse novo ser que entraria na vida dele. Os
dias se passaram e ele foi aos poucos se envolvendo. Um beijinho aqui, um
cheirinho no cangote ali e vi em tempo real um amor crescendo.
Esse amor ia crescendo a medida que a pequena foi
interagindo mais. Conversinhas, sorrisos e gritinhos conquistavam cada vez mais
o coração daquele irmão aquariano.
Eis que chega o grande dia, o dia do nascimento do irmão
mais velho. Estávamos em uma pizzada com os vizinhos do condomínio e uma delas
conquistou a Olivia. Bateu o santo das duas e a Oli distribuía gargalhadas para
ela, um riso frouxo gostoso. Eis que a vizinha solta a frase: “Que lindinha,
vou levar ela pra mim. Posso, Antonio?”
Tomtom veio lá do outro lado da casa que nem um pavão,
respirou fundo com um choro entalado na garganta, levantou o dedo e desabafou: “
Não, você não vai levar minha irmã. Fui eu que dei o nome, ela nasceu no dia do
meu aniversário e é MEU presentinho. Ela é MINHA irmã.”. Pronto! Presenciei o
segundo nascimento do ano, o nascimento do mano protetor, do irmão que quer
cuidar, que quer amar e que quer viver uma vida com cumplicidade.
Nasceu e passa bem. Segue todo orgulhoso e quando alguém elogia
a pequena, ele solta um “eu que dei o nome e ela nasceu no dia do meu
aniversário”, como quem diz: é minha, tira os olhos. E aquela dúvida se seria
bom para eles nascerem no mesmo dia? Bom, acho que a vida já respondeu.


