segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Siga o mestre!

Quando temos um filho, automaticamente nos tornamos mestres. Por menos preparados que a gente esteja (foi o meu caso com 25 aninhos), a responsabilidade de dar o exemplo, ensinar e educar pesa como uma enciclopédia gigante que temos que carregar.

Passamos a ler livros, voltamos a estudar matemática, ciência e geografia, passamos a ser mais responsáveis com a própria vida para que o filho seja responsável também em um futuro próximo. De mestres à autoridade.

Nos vemos tão sérios às vezes que pensamos que somos inquestionáveis, uma imagem perfeita daqueles professores durões da década de 50, ou a tão temida diretora da escola. 

Mas a maternidade dá uma rasteira atrás da outra pra nos mostrar que eles também são mestres. Desde neném, quando nos ensinam que quando estamos calmos e pacientes a vida flui muito melhor (em outras palavras, eles choram menos e dormimos mais). 

E esta semana, meu mestre no alto dos seus 7 anos me deu uma outra lição. Estava eu com uma viagem de final de semana planejada para a praia, iríamos só eu, ele e uma barraca. Mas o pequeno Jedi sentiu que precisava ficar, queria fazer companhia para o primo menor que anda em uma fase difícil.

Eu insisti, mostrei fotos da Ilha do Mel, contei tudo que tinha planejado até que parei para escutar as sábias palavras:

“Mãe, o que é mais importante para você: as pessoas ou o lugar?”

E então... o que é mais importante para você, ser uma autoridade e dizer que iremos mesmo assim, ou dar valor para este nobre sentimento e ficar na gélida Curitiba comendo pipoca e vendo Patrulha Canina?


Eu prefiro aprender. Descer do salto da maternidade e perceber que o mestre mais puro que conheci veio do meu próprio útero.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Papai e mamãe não namoram mais.

Filho, é difícil explicar o que acontece com as relações amorosas. Eu juro que, se eu entendesse de verdade, te explicaria com todas as letras que você merece- e já conhece. Mas alfabetização nenhuma vai poder te explicar com clareza.

Aos poucos você vai compreendendo que a vida é assim, uma série de acontecimentos inesperados que transformam a nossa história. Mas uma coisa é certa: os seus questionamentos estão deixando tudo mais claro pra mim também (porque adultos tem dificuldade em aceitar certas situações).

Prometo ter paciência pra responder todas as perguntas, mas infelizmente algumas delas vou continuar respondendo com lágrimas nos olhos e com o coração apertado. Acho que nesses meses você também reparou que adultos também choram. E devem chorar, porque expressar sentimentos é libertador (é sério, nunca pare de chorar).


Filho, você foi feito em um momento de completa paixão e amor. Você é fruto de um frio na barriga, que se transformou em vertigem e que se transformou em enjoos de gravidez. Foi tudo muito rápido e intenso, e você teve que conviver por 9 meses ao lado de borboletas no meu estômago.

Essa paixão se transformou em amor. E com ele viajamos, bebemos, brigamos, rimos, discutimos, discordamos, nos amamos de novo, nos reinventamos, tentamos, nos machucamos, perdoamos, nos amamos, gritamos, tentamos mais uma vez... até o fim.

“O fim de quê?”, você me pergunta. O fim do namoro. Papai e mamãe não namoram mais. Podemos simplificar assim por enquanto, pode ser? A mamãe não olha mais para o papai com o mesmo olhar, papai não dá mais aquela piscadinha desconcertante e os dois não se beijam mais na boca.


Mas sabe de uma coisa? Mamãe e papai se amam. E estarão sempre, sempre ao seu lado. Como hoje mesmo, que estávamos juntos na reunião com a professora Paula (pausa para o pito: o senhor anda conversando muito, garotinho).

A única e grande diferença é que não saímos da escola de mãos dadas. E cada um foi para um lado da rua. 


 
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