terça-feira, 25 de outubro de 2016

A fruta não cai longe do pé.

Há alguns dias eu fui obrigada a encarar uma realidade em minha vida: não nasci para ser normal. Aquela normalidade que a sociedade encara como “sucesso”, “deu certo na vida”, “valeu a pena o investimento”.  E é claro que procurei um parceiro com o mesmo nível de loucura. 



O “normal” lá em casa é quebrar a cabeça fazendo paródias coletivas (acho que enquanto as famílias normais estão discutindo orçamento, sei lá).A frase mais comum em nossas conversas começam com “Imagine se...”, seguida de viagens em um universo paralelo que a gente nunca sabe onde vai chegar, e quando vai parar. É nesse universo paralelo que nos sentimos seguros. É lá onde tudo acontece.

Mas quando voltamos para a realidade, essa realidade de “não ser normal” veio estampada em uma frase que o pequeno disse ao meu marido: “papai, me chamaram de louco na escola”. 



Pronto, foi o suficiente para a mãe surtar. Os neurônios entrarem em conflito com questionamentos infinitos que cabem em 5 segundos. E agora? Será que estamos errando? Será que não temos que colocar mais o pé no chão? Será que não somos loucos de verdade?

Depois desses 5 segundos infinitos, perguntei ao Carlos:

-E aí, amor, o que você disse a ele?
- Cantei a Balada do Louco até ele dormir.


Pronto! Descobri que a fruta não cai longe do pé! E que bom!


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Trabalhar fora, ficar em casa e a certeza de Dori.

Ninguém nos avisa, nenhum livro nos prepara. Mas exercer a maternidade é ter constantemente incertezas e, mesmo assim, mostrar a firmeza de um cientista. É ter mil perguntas na cabeça e ser obrigado a afirmar pro filhote que sim, estamos certos.

Hoje faz uma semana que estou em casa com o filhote. As circunstâncias me trouxeram de volta. E percebi que essa dualidade entre “Mãe que trabalha fora” e “Mãe que fica em casa” não tem nada a ver com certezas. ambas as partes tem dúvidas, dores, aflições. e muitas incertezas.


Trabalhando fora, estava mostrando ao meu filho a mulher forte que posso ser. Estava mostrando a ele a importância do trabalho, estava contribuindo com as contas ativamente e inspirando ele com minhas histórias fora de casa. Mas a dor de deixá-lo de manhã e, muitas vezes não vê-lo a noite é enorme. Alguns dias deixava bilhetinhos para ele saber que eu existo, engolia o choro e partia.

Algunas dias eu chegava em casa estressada. E não me doava como queria.. não estava presente de fato. Queria brincar, mas ao mesmo tempo dormir e algumas vezes chorar. Gritei algumas vezes, pedi perdão outras tantas.

Hoje eu estou aqui, há uma semana presente! Acordo cedo, tomamos café, às vezes jogamos bola, às vezes assistimos desenhos e o tempo passa devagar.. A impressão que tenho é que temos todo tempo do mundo, posso mostrar pra ele como ele é importante pra mim.

Todo tempo que senti falta dele, agora é todo nosso. temos tempo.. muito tempo.E o que faço com tanto tempo? Quando vou voltar a ter tempo pros meus projetos? E eu? Ah... dores...incertezas.. será que estou dando muita liberdade? Será que não deveria disciplinar melhor ao invés de jogar bola de igual pra igual?

A única certeza na maternidade é essa: jamais teremos certeza. E jamais devemos deixar que a sombra do “e se..” nos perturbe. E, se nem nós mesmas temos certezas, é fundamental JAMAIS julgar a opção de outras mulheres. Respeito às escolhas é fundamental. Como diz o poeta Caetano, “ cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Então, mesmo diante de nossas incertezas, vamos seguir o conselho da poeta Dori: “continue a nadar, nadar, nadar..”




quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O que pais fazem quando os filhos não estão em casa?

Imagine a seguinte situação. Um casal jovem deixa o filho na casa da vó no norte do Paraná, vem para Curitiba sozinho. Os dois determinam o tempo, duas semanas para o menino curtir as férias. Piscina, priminhos e todos os mimos que uma casa de vó permite.

O que esse casal faria? Primeiro dia, 13h  seguidas de série. Escolhem exatamente aquela que jamais assistiriam com o filhote por perto. Segundo dia, vinho. Muito vinho. Inauguração de taças novas para viver uma sensação velha que há tempos não era vivida. Um dia para o casal. Terceiro dia, bar com amigos. Mas ali a conversa ja muda. Uma ligação para o filhote e a ideia: “porque não aproveitamos para pintar o quartinho dele?”. Pronto. Ideias assim já mudam todo contexto.


Quarto dia, vamos ver tinta. Quinto dia, mais ideias. “E que tal a gente comprar o material escolar”. Boa! Em cada caneta, uma saudade. Em cada capa de caderno, uma memória. E a sensação de que é fato. Vivemos e morremos por eles. Enfrentamos tempestades, angústias e o que for para vê-los felizes.  E não há milha que distancie nossos pensamentos do Antonio. Mas afinal, o que os pais fazem quando os filhos não estão em casa? Tudo. Por eles.
 
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