Há alguns dias eu fui obrigada a encarar uma realidade em
minha vida: não nasci para ser normal. Aquela normalidade que a sociedade
encara como “sucesso”, “deu certo na vida”, “valeu a pena o investimento”. E é claro que procurei um parceiro com o mesmo
nível de loucura.
O “normal” lá em casa é quebrar a cabeça fazendo paródias
coletivas (acho que enquanto as famílias normais estão discutindo orçamento,
sei lá).A frase mais comum em nossas conversas começam com “Imagine
se...”, seguida de viagens em um universo paralelo que a gente nunca sabe onde
vai chegar, e quando vai parar. É nesse universo paralelo que nos sentimos
seguros. É lá onde tudo acontece.
Mas quando voltamos para a realidade, essa realidade de “não
ser normal” veio estampada em uma frase que o pequeno disse ao meu marido: “papai,
me chamaram de louco na escola”.
Pronto,
foi o suficiente para a mãe surtar. Os neurônios entrarem em conflito com
questionamentos infinitos que cabem em 5 segundos. E agora? Será que estamos
errando? Será que não temos que colocar mais o pé no chão? Será que não somos
loucos de verdade?
Depois desses 5 segundos infinitos, perguntei ao Carlos:
-E aí, amor, o que você disse a ele?
- Cantei a Balada do Louco até ele dormir.
Pronto! Descobri que a fruta não cai longe do pé! E que bom!


