sexta-feira, 21 de setembro de 2012

De foguete rumo à casa do bichinho.


Hoje pela manhã estava eu resolvendo um conceito de uma campanha de dia das crianças, tentando fazer essas associações malucas que os publicitários criativos precisam fazer (e, aliás, fazem também sem precisar), concentrada em meu raciocínio quando recebo uma ligação.

No outro lado da linha era minha mãe, dizendo que o Antonio queria falar comigo. Apesar de quase três anos ele ainda fala um pouco enrolado, mas mãe entende até quando o filho ainda não fala.  Antes mesmo de atender já percebi a empolgação do garoto. Ele atendeu e, sem ao menos dar oi, me disse:
-Antonio ajando num fodeti (Antonio viajando em um foguete).

Meu coração disparou, viajei por alguns segundos  junto no foguete. Suspirei, me despedi e desliguei.
Voltando para o meu raciocino “criativo”, olhei para o problema e tudo mudou. Porque eu também não posso viajar no foguete? A gente nunca deveria perder a imaginação fértil, tudo poderia ser associado e ganhar uma livre utilidade.

Chegando na casa da minha mãe eu, meu marido e meu primo, para o almoço, vêm o Antonio mostrar uma concha e coloca no ouvido para escutar. Meu primo, um dos que viaja no foguete, diz:

-Olha, aí dentro tem um monstro que o vô Orlando capturou no mar.

E o Antonio responde com um:

-Não, é a casa do bicho.

Putz... lascou. Meu coração entristeceu. Se fosse outro dia, se não tivesse acontecido aquela ligação, eu até poderia me orgulhar pelo belo raciocínio lógico do Homem. Mas essa resposta me veio como um tapa na cara.  Não, mãe. Nem tudo pode ser associado e criar outra utilidade. O menino está crescendo e as coisas, aos poucos, vão criando uma lógica concreta.

Passado alguns minutos o Antonio pegou uma almofada volante e voltou para seu sofá foguete, me trazendo alívio e conforto. Meu primo também já garantiu seu volante e partiu para uma viagem rumo à sua infância.




Um comentário:

  1. Outro belo texto!

    Demonstração nítida que a realidade é a mistura de tudo o que fomos, sonhamos e construímos em todas as fases de nossa vida.

    O Antonio é em sua essência uma criança, embora já tenha uma percepção da realidade diante de suas "limitações" por ser ainda um menininho lindo de 03 anos .. Ele é admirável!

    Vc está com ele construindo uma bela história, onde a realidade e a imaginação são necessárias para uma vida sadia!

    PARABÉNS mais uma vez!

    Bjão

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