Antonio em seu mundinho
mágico me fez ver que minhas prioridades mudaram radicalmente com sua vinda ao
mundo. Eu não sei exatamente em que momento da maternidade isso começou a ser
natural, só sei que o grande clichê das pequenas grandes coisas da vida se fez
real.
Ontem na casa de minha mãe
ele achou um besourinho preto com lista vermelha. Ele se encantou no primeiro
olhar, quando percebeu que o bichinho era atleticano que nem a mamãe. Logo foi
arranjar um potinho pra ele morar e viver feliz para sempre ao seu lado com o
nome de Pedro. Colocou comidinha e levou ele pra escola onde fez maior sucesso
entre os amiguinhos.
Hoje, quando acordamos, ele
foi logo pegar o bichinho para levar para a casa da vovó. Verificou seus
movimentos para ver se estava vivo e vibrou com a primeira mexida de patas.
Durante o caminho ele tirava o Pedrinho do potinho e fazia ele realizar “nobras
radicais”. Mas, em uma dessas manobras, o Pedrinho caiu no carro.
“Mãe, mãe, o Pedro vai morrer”. Pedro. A coisa ficou séria! Vi pelo retrovisor o
rosto do TomTom ficar cada vez mais pálido. Ele logo afastou todo o corpo da
cadeirinha, ficando só com os pés apoiados no assento para não esmagar o
bichinho. Olhei para o relógio e já era 8h55, estava atrasada.
Mas era o Pedrinho, aquele
ser gente boa que fez meu filho se encantar pela vida. Não tive muita dúvida,
procurei a primeira vaga que tinha e parei o carro bruscamente. Os pedestres
que passaram olhavam com um olhar de preocupação. Que seja, era o Pedrinho.
Encontrei ele ainda vivo no
chão do carro. Colocamos ele no potinho de volta e fomos para a casa da vovó,
onde logo libertaríamos o bichinho para encontrar seus pais. E, de repente, vi
um besouro ficar maior que muita gente, simplesmente porque nele eu vi amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário