quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Papai e mamãe não namoram mais.

Filho, é difícil explicar o que acontece com as relações amorosas. Eu juro que, se eu entendesse de verdade, te explicaria com todas as letras que você merece- e já conhece. Mas alfabetização nenhuma vai poder te explicar com clareza.

Aos poucos você vai compreendendo que a vida é assim, uma série de acontecimentos inesperados que transformam a nossa história. Mas uma coisa é certa: os seus questionamentos estão deixando tudo mais claro pra mim também (porque adultos tem dificuldade em aceitar certas situações).

Prometo ter paciência pra responder todas as perguntas, mas infelizmente algumas delas vou continuar respondendo com lágrimas nos olhos e com o coração apertado. Acho que nesses meses você também reparou que adultos também choram. E devem chorar, porque expressar sentimentos é libertador (é sério, nunca pare de chorar).


Filho, você foi feito em um momento de completa paixão e amor. Você é fruto de um frio na barriga, que se transformou em vertigem e que se transformou em enjoos de gravidez. Foi tudo muito rápido e intenso, e você teve que conviver por 9 meses ao lado de borboletas no meu estômago.

Essa paixão se transformou em amor. E com ele viajamos, bebemos, brigamos, rimos, discutimos, discordamos, nos amamos de novo, nos reinventamos, tentamos, nos machucamos, perdoamos, nos amamos, gritamos, tentamos mais uma vez... até o fim.

“O fim de quê?”, você me pergunta. O fim do namoro. Papai e mamãe não namoram mais. Podemos simplificar assim por enquanto, pode ser? A mamãe não olha mais para o papai com o mesmo olhar, papai não dá mais aquela piscadinha desconcertante e os dois não se beijam mais na boca.


Mas sabe de uma coisa? Mamãe e papai se amam. E estarão sempre, sempre ao seu lado. Como hoje mesmo, que estávamos juntos na reunião com a professora Paula (pausa para o pito: o senhor anda conversando muito, garotinho).

A única e grande diferença é que não saímos da escola de mãos dadas. E cada um foi para um lado da rua. 


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